..."mas qdo olhamos para uma natureza morta, qdo nos deliciamos, sem tê-la perseguido, com essa beleza q leva consigo a figuração magnificada e imóvel das coisas, gozamos daquilo q não tivemos de cobiçar, contemplamos o que não tivemos de querer, afagamos o q não tivemos de desejar. Então, a natureza morta, por figurar uma beleza q fala ao nosso desejo mas nasce do desejo de outro, por convir ao nosso prazer sem entrar em nenhum de nossos planos, por se dar a nós sem o esforço com q a desejaríamos, encarna a quintessência da Arte, essa certeza do intemporal. Na cena muda, sem vida nem movimento, encarna-se um tempo isento de projetos, uma perfeição arrancada de uma duração e de sua exausta avidez ...
...um prazer sem desejo, uma existência sem duração, uma beleza sem vontade." (Muriel Barbery, em A elegância do ouriço.)


Nenhum comentário:
Postar um comentário
Comente, sugira, contribua!